13 de junho de 2021



vida de estrada. tempestade. trovoada. intensidade. liberdade. saudade.
que posso dizer.sonhar é uma arte; viver-te, a melhor parte.


[10-13Junho2021, Douro]

1 de junho de 2021


Manual de instruções para vertigens


Deixa que a apatia te invada e te sufoque. Segue o sabor do mar, o movimento oscilante das ondas, há pouco que possas fazer, não sabes o que fazer e mesmo que fizesses a mínima ideia, nem tentes: não está nas tuas mãos . Reserva-te ao dia a dia, não há como falhar.


Ausentei-me de mim por um momento que agora me parece eterno. Foda-se, esta dormência que pesa, o vento que passa e me ensina uma reza, perversa, convexa e tão desconexa.


A parte engraçada - basta outro mero instante para reverter. Caralho, é tão bom viver.


Chegaste suave, como o sol de uma manhã clara de inverno e eu fui ao teu encontro. Os reagentes eram certos e rapidamente entramos em ebulição. Se são forças magnéticas invisíveis que nos deixam a pairar nesta esfera no vazio, porque haverá a distância nos intimidar. As forças invisíveis estão lá, da mesma forma, a nosso favor.


O som chega de forma diferente, a frequência sincronizou e as partículas deixam no ar um transe constante. Bebo as tuas palavras noturnas e fico sem fome. O dia é o pretexto, o caminho até à noite, o caminho até aqui. A esta calma tenebrosa, esta tão certa incerteza que me acalma.


Não sabemos o que nos espera e eu confio que esta leveza nos ascenda até sentir o vertigo - tudo a andar à roda - e sem olhar para baixo, sabemos instintivamente por onde caminhar sem medo de cair, sem medo de sorrir.

30 de maio de 2021



sinto-me febril
e acho que estou louca
ainda ontem era abril
e a memória já é pouca.
a verdade já não é sequencial
e é isso que a torna especial.
terra firme não dá alento, e eu
acredito veemente que atrás de um céu cinzento
há também um pôr do sol -
talvez encontre lá o teu anzol.

25 de abril de 2021



Every second of my time - one of a kind. Every second of my life - beginner’s mind. I feel like I am constantly unlearning whatever tf I’m doing here and I get so tired of pretending that everywhere I look there ain’t a blind spot. Oh yes, there is: a persistent dead angle disturbing a full horizon, sucking the light out of a clear day. At this point, I am wondering whether this is real or metaphoric.
 
G-d, I’m feeling so euphoric, you know, like that one time I met Molly. Oh dear, haven’t you heard? The world is poly. Drop the monotonous monochromatic monologue.
 
There it is again, the blurry spot in my vision and weirdly it always seems to be looking back, staring at me, taking notes. My own personal judge, for my every move. The trial starts and ends at its own will and pace - the system does not work. Not as you would expect, not as I wish it would.

Do you see it? The paradox of some kind of conditional freedom? Seriously, if you were really free, where would you be?
 
HR spikes up to two twenty - damn, this anxiety is tantric, the motion is frantic. Incoherence is flowing in my body, eventually leading me to all the irrational, illogical, emotional decisions. There is no longer cause-effect, reason is an illusion. There are inexplicable things, please don’t even bother trying.
 
Another second is past, and you know what?
 
Nothing is ahead us nor behind.

Beginner’s mind.

5 de abril de 2021



desde que te conheço, nunca fumaste tantos cigarros como agora - dois mil e vinte - e acendes mais um. todas as noites, junto com a falta de luz, ouves o estertor à cabeceira e receias que ele se aproxime demais - as mãos tremem-te. começa dentro de ti uma espécie de luto antecipado pelas incertezas de tudo aquilo que está por vir.

validam-se as dúvidas e serem naturais os pensamentos de que o estado atual é reversível/ irreversível - que difícil distinção.
um a um percorres todos os fatores que te levam ao delirium e questionas, afinal, o que te poderá devolver a integridade do sensorium.
apelas às profundas e inigualáveis ligações como forma de obteres respostas às questões que vão surgindo, dia a dia. mas as insónias não te largam e a incoerência é já um domínio mais que perfeito. resguardas-te num silêncio tão só, tão ileso, mas ele está de volta e ecoa nos teus ouvidos - o ruído à cabeceira.

respiras fundo, eu respiro fundo. eu não sei tanto sobre tanta coisa e já faz tanto tempo que adormecemos nesta apatia - mostra-me as palavras e os sinais de que estamos em paz, acende mais um cigarro e a seguir incendeia tudo - que as labaredas nos guiem e iluminem este inóspito caminho.